Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

Tomboy

É um filme que mexeu muito comigo.

Faz tempo que estamos acostumados com travestis retratadas através da ficção ou documentário. Atualmente também não é uma novidade encontrar personagens transexuais em filmes. Normalmente abordam a questão do adulto que passou uma vida não cabendo naquele corpo com o qual nasceu e opta (ou não) por mudança de sexo através de operação. Um dos melhores filmes que vi com essa temática foi Transamérica, que me lembrou em diversos momentos Tudo Sobre minha Mãe.

O longa da Céline Sciamma não fala de transexuais, nem travestis, nem gays e nem nada disso. Ela propõe um olhar sobre aquelas velhas determinações comportamentais que diferenciam meninos de meninas. As brincadeiras, atitudes, percepções do grupo, descoberta da sexualidade e amores de infância. Tudo de uma maneira delicada e emocionante.

Laure é o que chamamos de tomboy. Ela gosta de se vestir de menino, usa cabelos curtos e se identifica com esse universo. Sua família não demonstra estranhamento algum diante daquilo* e sua relação com a irmã é como a de qualquer irmã. Personagens super bem construídos e cuidadosamente retratados da forma mais natural possível.

Na mudança de prédio e de amizades Laure opta por se apresentar como Mickael*.  A gente não sabe direito se isso é tão importante pra ela, mas facilita a inserção dela no grupo dos meninos. Porque o filme mostra que existe um universo de meninos e outro de meninas. Onde se maquiar é de menina e jogar futebol é de menino. Céline brinca com isso, como em uma cena que Mickael é maquiado por uma amiga que está encantada com ele. Brinca também quando os meninos vetam as meninas do futebol, mas Mickael ta lá no meio do jogo.

É um filme imperdível sobre construção de gênero. Com um elenco incrível e uma abordagem tão natural e delicada que é impossível não se emocionar.

Haline Santiago

* A história me lembrou muito Shiloh, filha da Angelina Jolie. Ela gosta de se vestir de menino e, recentemente, quis trocar de nome. Aparentemente a atriz lida muito bem com isso e deixa a filha super à vontade como no filme.
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Um comentário em “Tomboy

  1. fredpill (@fredpill)
    julho 25, 2012

    Eu assisti e adorei. Acho que as pessoas tem que começar a entender que a construção de Gênero, muitas vezes está na infancia, e como pode ser simplestemente uma fase da vida, pode também ser algo que fique para sempre. Somos o que somos e não adianta mudar! :)

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Informação

Publicado às junho 8, 2012 por em Cinema e marcado .

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