Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

Sexualidade: opção ou determinação?

Em algum momento da história do movimento gay foi preciso adotar determinadas estratégias de visibilidade e luta pelos direitos igualitários. Considerando que Stonewall foi em 1969, muita coisa mudou.

Antes disso a homossexualidade era considerada uma doença. Somente em meados dos anos 80 essa questão foi reconsiderada. Chamavam de “preferência” sexual e isso atribuía uma “culpa” aos homossexuais, já que estavam fora da norma convencional da heterossexualidade.

Depois de algum tempo, e até os dias de hoje, a estratégia foi utilizar o termo “orientação” sexual como forma de tirar essa culpa da preferência e jogar para o campo da determinação biológica. Como se ninguém quisesse ser gay, mas nascesse gay. O que é bastante perigoso porque pode levar a questão para estudos sobre “cura” gay, como levou recentemente.

É o caso de repensar isso daí. Porque antes era muito complicado ser gay e era bastante comum o discurso de “você acha que se eu tivesse escolha não seria hetero?”. Obviamente muita gente ainda sofre com essa “condição”, mas depois de tantos anos e tantas conquistas, muita gente se sente muito confortável em ser gay. Longe da pressão social que é o casamento hetero, das imposições sociais sobre sua vida afetiva, sexual e reprodutiva; muita gente é feliz. Muita gente é MAIS feliz dentro dessa nova configuração de vida que engloba a homossexualidade, mas também muitas outras formas de se relacionar com o mundo e com as pessoas. Formas mais livres e fora do padrão. Formas não convencionais.

E por que não dizer que algumas pessoas optam? Os gays só podem ser gays caso haja uma determinação biológica, uma tendência, uma imposição genética? Os que optam são pervertidos, sacanas?

É hora de repensar muita coisa. A sigla do movimento que passou de GLS para GLBT para GLBTT e agora LGBTT diz muita coisa sobre essa confusão de rótulos. Sobre como é complicado classificar as pessoas dentro dessa matriz de possibilidades. Não vamos conseguir arranjar letras suficientes pra definir tudo que não é hetero, tudo o que é fora do antigo padrão.

Todos nós somos um mundo de possibilidades sexuais, de experiências que podem ser vividas ou não. Não somos uma única coisa, podemos ter preferências, mas as possibilidades estão aí.

Cynthia Nixon (Sex and the city) declarou no início deste ano que é homossexual por opção e isso causou polêmica com os militantes gays.

Disse que já fui hétero e gay, e gay é melhor. Para mim é uma opção. Entendo que para muitos não é, mas para mim é uma escolha e ninguém tem o direito de definir minha homossexualidade. Por que não pode ser uma opção? Por que isso é menos legítimo?

É bem comum esse tipo de reação das militâncias quando uma pessoa contraria suas estratégias de discurso. Isso acontece com o feminismo também. A proposta é trazer mais liberdade a um grupo oprimido, mas acaba por oprimir quem não se alinha com o discurso imposto. E a Cynthia respondeu muito bem:  Por que é menos legítimo?

Haline Santiago

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Publicado às junho 17, 2012 por em Uncategorized e marcado , .

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