Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

Orlando Cruz: boxeador briga pelo título mundial

FLÓRIDA – As duas últimas semanas foram muito pesadas para Orlando Cruz. Enquanto se apresentava para um grande número de torcedores que o aclamavam e balançavam as bandeiras de Porto Rico, a sua terra natal, o primeiro boxeador declarado homossexual pode finalmente respirar e fazer o que ele deveria: golpear o mexicano Jorge Pazos e conseguir a vitória por decisão unânime dos juízes.

– Aquele era o meu momento, a minha oportunidade, o meu evento – disse Cruz, acompanhado de sua mãe, Dominga Torres-Rivera. – E eu ganhei.

Cruz se comoveu com o apoio recebido do público no centro cívico de Kissimmee, em Orlando. Duas semanas antes, ele havia assumido a sua homossexualidade. Ele está sendo considerado o primeiro atleta de um grande esporte a assumir ser gay.

– Fiquei muito feliz por terem me respeitado. É isso o que quero, que me vejam como boxeador, como um esportista e como um homem em todos os sentidos da palavra – afirmou o lutador, quarto colocado no ranking dos pesos pena da Organização Mundial de Boxe.

O anúncio de Cruz gerou uma enorme repercussão e vários pedidos de entrevista. O boxeador também recebeu apoio do público em geral, além de nomes importantes de Porto Rico com o ex-companheiro da equipe olímpica Miguel Cotto e o cantor Ricky Martin.

– Depois de tudo o que passou na minha vida nas últimas semanas, não tenho desculpas. Me afetou aqui, lá, sim, é claro que me afetou.

Cruz tem 19 vitórias, sendo nove por nocaute, em 22 lutas. Perdeu apenas uma. Com um cartel respeitável, subiu ao ringue confiante para derrotar Pazos, cujo retrospecto era de 20 vitórias, sendo 13 por nocaute, em 24 lutas. O que se viu no ringue foi um sorridente e aplicando golpes que desnortearam o mexicano. Pazos ainda tentou reagir, mas a noite era de Cruz, que foi ovacionado pela torcida depois da vitória.

– É um lutador que se move demais, que sabe boxear e tem boas pernas. Não consegui alcançá-lo.

Cruz agora espera que a vitória o projete mais no esporte.

– Quero lutar pelo título mundial. É o meu sonho, o sonho da minha mãe, do meu país e da minha equipe.

Ele também se mostrou mais tranquilo com a sua nova posição de um atleta gay que pode ser um exemplo a ser seguido em um dos esportes mais machistas do mundo.

– Sou apenas uma pessoa. Me sinto feliz como estou. Sou livre. Estou em paz – concluiu.

Fonte: OGlobo.com
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Informação

Publicado em outubro 5, 2012 por em Esportes, Gente Queer.

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