Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

#FreeThammy

thammy

Tem uma coisa que me incomoda, às vezes, nos movimentos (lgbtt, feminista e etc.) que é o que eu chamo de: denúncia só pelo prazer de denunciar. Não sei como é pra vocês, mas nas últimas semanas apareceu na minha timeline gente protestando contra a aparição da Thammy em “versão feminina”. Acho que o fato dela estar representando e atuar como atriz já encerraria o assunto, mas vamo lá.

“Let yourself go and you’ll be more than you’ve ever thought of being” Janis Joplin

Existe sim uma curiosidade das pessoas a respeito da figura da Thammy. Não só por ela ser lésbica e se vestir como menino (tomboy), mas por ser filha de quem é e por já ter dançado realizando performance de sexy symbol como a mãe. E claro que isso gera audiência e é disso que televisão sobrevive. A partir desse entendimento de que televisão funciona assim e audiência gera lucro e etc. nos resta sempre analisar de que forma essas representações são produtivas pro movimento, pra visibilidade e etc.

Thammy em Salve Jorge é TÃO legal. É legal porque a Glória Perez optou por não problematizar a personagem, ou seja, Thammy trabalha para a delegada como todos os outros. Não existe um estranhamento. E é uma abordagem que eu gosto tanto quanto quando é problematizado e tals. Porque insere a figura dela no dia a dia das pessoas e sem que elas percebam já estão se familiarizando com isso. É legal também por ela ser filha da Gretchen e causar esse frisson a respeito de tudo que ela faz/fala. Adorei a participação dela no Faustão, ela foi humanizada. A Gretchen também foi humanizada causando uma aproximação com tantas mães que não aceitam de imediato, imagina só? Logo a Gretchen e etc. isso que as pessoas pensam. E quando mostram a relação mãe-filha sensibilizam o público. E isso não é novidade no programa do Faustão, isso é o marketing da Globo ué. Eles humanizam Luana Piovani, Carolina Dieckmann, lutador de MMA e etc.

O ponto aqui é o seguinte: mesmo sendo uma estratégia pra “vender” a novela, mesmo que o interesse do público seja o fetiche de ver a Thammy dançando conga la conga, mesmo que a Globo esteja querendo ganhar o público LGBTT; qual o problema? Esse interesse gera visibilidade e aproximação/humanização. Por que não?

FM63-DK5

E por que não a Thammy se vestir de menina que dança na buátchy? Será que o papel do webativismo gay vai ser justamente patrulhar o que ela faz como performance? É muita incoerência, brasel. Travestir-se, tornar-se outro, bagunçar os gêneros é uma prática antiga de brincar com os estereótipos. Antes de sair denunciando, vamos observar. Quando ela adotava uma performance pra agradar a mãe, o público ou a quem quer que seja, mas não se sentia bem, era opressivo. Hoje ela tem a segurança de ser chamada pra atuar na novela do horário nobre da Globo sendo exatamente quem ela é. Se isso não for MUITO legal, eu não sei mais o que é.

Haline Santiago

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Publicado às abril 24, 2013 por em Gente Queer, Televisão e marcado , , , , .

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