Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

Ui, quebraram a santa

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Geralmente, em virtude do papel que assume a religião na vida das mulheres, a menina, mais dominada pela mãe do que o irmão, sofre mais, igualmente, as influências religiosas. Ora, nas religiões ocidentais, Deus Pai é um homem, um ancião dotado de um atributo especificamente viril: uma opulenta barba brancal. Para os cristãos, Cristo é mais concretamente ainda um homem de carne e osso e de longa barba loura. Os anjos, segundo os teólogos, não têm sexo, mas têm nomes masculinos e manifestam-se sob a forma de belos jovens. Os emissários de Deus na terra: o papa, os bispos de quem se beija o anel, o padre que diz a missa, o que prega, aquele perante o qual se ajoelham no segredo do confessionário, são homens. Para uma menina piedosa, as relações com o pai eterno são análogas às que ela mantém com o pai terrestre; como se desenvolvem no plano do imaginário, ela conhece até uma demissão mais total. A religião católica, entre outras, exerce sobre ela a mais perturbadora das influências.
A Virgem acolhe de joelhos as palavras do anjo: “Sou a serva do Senhor”, responde. Maria Madalena prostra-se aos pés de Cristo e os enxuga com seus longos cabelos de mulher. As santas declaram de joelhos seu amor ao Cristo radioso. De joelhos no odor do incenso, a criança abandona-se ao olhar de Deus e dos anjos: um olhar de
homem. (Beauvoir, Introdução ao volume II da Bíblia*, a outra)

Eu tinha um colega, na outra faculdade em que eu dava aula, que era doutor em biologia genética. Uma vez ele chegou puto porque na UNESP/Rio Preto, onde ele fazia o doutorado tinha tido um seminário sobre Evolução e um padre foi convidado para compor a mesa. O coordenador alegou relativismo e respeito à diversidade. E o meu amigo contou como o padre levou slides de fósseis que se pareciam com a Virgem Maria. Os estudantes de pós graduação em Biologia também ficaram a par da teoria de que fósseis são uma maneira de Deus testar a fé. Aqueles que acreditam (nos fósseis), não passam no teste.

Outro dia fiquei sabendo, também, que a Mix Brasil convidou o pastor Feliciano para debater no 21o Festival sobre Diversidade. Não faço ideia de que fim teve isso. Mas o convite causou alguma polêmica, o que eu acho bom. Cada vez acho melhor.

Acho mesmo que o conceito antropológico de relatividade foi sendo desfigurado ao longo das últimas décadas. Cada vez mais ele parece ser usado para que os grupos conservadores recusem as mudanças com a anuência dos libertários. Feliciano tem o direito de falar num evento sobre diversidade. Um padre leva seu power point num congresso científico. Você pode me falar que não há contrapartida. O padre não abre a missa para darwinistas nem Feliciano deixa a diversidade invadir seus cultos. Mas nem de longe é isso que me preocupa. Porque eu não quero levar meu power point para a igreja. Pelo contrário, pretendo não pisar nelas todas. Sei o suficiente sobre história do cristianismo para considerar que ele não me representa e que nele não brotam as minhas pautas. De acordo com trocentos historiadores, o fundamentalismo é cristão. É nessa doutrina que ele aparece e se cria. Umberto Eco fala sobre isso, Giddens fala sobre isso. Não é difícil ter essa informação.

Eu não vou ficar repassando aqui a história da Igreja Católica especificamente. Várias pessoas fizeram isso ao longo do dia. O meu ponto aqui é bem outro. É como chegamos a isso. A Srta. Bia postou, no FB, um clipe da música Igreja, dos Titãs. Cito um trecho da ~subversiva~ canção:

Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus

Eu fiquei pensando nisso. Que eu fui adolescente na década de oitenta e essas coisas eram simplesmente lançadas. A Vida de Brian não causava debate nem tsc tsc do William Bonner. E aí eu fico realmente pensando se esse relativismo aplicado ao indivíduo e seus problemas não acabou nos trazendo a um ponto em que nada de ~sagrado~ pode ser realmente criticado. Parece haver um pânico em ser chamado de intolerante e uma necessidade de mostrar respeito àquilo que nos agride. A máxima “toda religião é boa, o importante é ter uma” ganha caráter de verdade universal. No mundo do fragmento, as pessoas se utilizam das engrenagens duramente forjadas pelos oprimidos (a fim de sobreviverem) para manter o status quo inalterado. Sim, eu posso dizer e cantar que eu não gosto do berço de Jesus. Sim, é possível isso. Mais. Faz parte de uma rebelião secular. Enfrentar os símbolos da santa Igreja é uma forma de dizer não, ela não detém a verdade. Não, eu não acredito nela. Sim, eu posso dar de ombros pros ensinamentos que ela propõe.

Mas eu fico triste demais quando alguém zomba da minha fé. Mas eu choro quando alguém questiona os meus dogmas. É a senha do relativismo individual para que todos nós recuemos. Eu não recuo. E não quero deixar VOCÊ triste. Não sei como pode ser tão difícil perceber que a crítica está direcionada para a instituição Igreja. Claro que eu já sei também que vivemos o tempo da emoção e do afeto. E que a racionalidade, talvez por suas próprias limitações, tenha sido abandonada na elaboração de argumentos. A nebulosa afetual que nos fala Maffesoli. Acho que todos já percebemos que estamos diante desse novo tempo. E que toda e qualquer crítica é lida como uma desrespeito à pessoa. No episódio da santa, foi dito que os 3 milhões de fiéis ali foram agredidos. Por dois militantes nonsense de uma Marcha horizontal e livre.

O que eu vejo é que nenhuma ação anticlerical é possível. Tudo que eu fizer é uma agressão individual. Caso de polícia. Quebrei uma santa. Nossa. Violei a liberdade religiosa e impedi o culto. O que me resta é ver o Papa passar. Minha proposta (sim, eu tenho uma proposta, a loka etc) é que enfrentemos. Vamos voltar a dizer que as religiões cristãs se erguem sobre uma cultura do ódio. Que historicamente eles tem impedido as pessoas de existirem. Impediram negros, índios, mulheres, gays, muçulmanos. Que eles nunca abandonaram a guerra santa. Que ~respeitar~ o discurso deles é legitimar o ódio. Que a Virgem Maria não é uma imagem feminina. É uma das imagens mais machistas já criadas pela cultura humana. Que não existem mulheres na Igreja deles. Elas lavam os pés e puxam o saco de homens. Que Simone de Beauvoir já dissecou A Religiosa (ou A Mística) no segundo volume de O Segundo Sexo. A liberdade mistificada da mulher, promovida pelas religiões, bem como a aniquilação da carne da mulher religiosa. Estranhamente, as feministas que apoiaram os manifestantes também fazem ressalvas individualista. “Eu não faria isso“, “eu respeito quem não respeita mas não faria“. Um espiral de justificativa que para mim é o cerne da questão: ´para combater criacionismo, cartilha bioética papal e que tais PRECISAMOS enfrentar as religiões. Ué. Não teve outro jeito. Até chegarmos nessa sinuca teórica. Se-eu-critico-não-respeito. É uma falsa sinuca. O relativismo é um método de compreensão. Não é a aceitação de todas as práticas e discursos. Podemos sair do armário. Podemos dizer que falta senso crítico àqueles que sacralizam um homem segundos depois da fumaça vaticana. O preço que estamos pagando por não enfrentar é alto demais. Cada vez mais vemos pastores e padres invadindo o Estado. Cada vez mais abaixamos a cabeça e dizemos “ó, mas eles tem o direito de estar“. Como se não soubessemos o que eles fazem quando tem o Estado nas mãos. Ao invés de ficarmos dizendo sem parar que não quebraríamos santa, está na hora de dizer que cagamos e andamos se uma santa foi quebrada.

Para terminar, conto uma história mil vezes por mim repetida. No meu primeiro ano de docência, durante uma aula sobre dimensão simbólica, falei de religião. E acabei falando de santos. E disse assim “até bem pouco tempo atrás as pessoas acreditavam em santos“. A sala ficou em silêncio. Um aluno levantou a mão. Disse que ainda acreditava. Outras pessoas levantaram a mão para dizer o mesmo. Oh, captain, my captain ao avesso. Essa é minha história docente. Mas eu soube, então. Que não estava mais no Kansas e ouvi os portões da faculdade de sociologia se fechando atrás de mim. Saí da ilha sem bóia. Eu já entendi isso. Mas, nossa. Tô preparada pra visita de Papa não. E muito menos para uma geração que se exime de enfrentar uma visita dessa.

*Pode queimar um exemplar, se você quiser :)

PS:  no twitter, várias pessoas reclamaram. de como esse assunto é chato etc. não me enganam. carolas disfarçadas.

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104 comentários em “Ui, quebraram a santa

  1. Alex Castro
    julho 28, 2013

    mary, eu te amo tanto.

  2. André
    julho 28, 2013

    No geral concordo totalmente com o direito de avacalhar as religiões, e não acho que haja nada de especial nas religiões cristãs. Aliás, mesmo se a religião fosse perfeita eu lutaria pelo direito das pessoas avacalharem seus símbolos. Ah, e as religiões orientais também são igualmente (ou mais) opressoras em suas regiões de atuação, mas isso não vem ao caso. E são muito mais sensíveis com ataques a seus dogmas, também, inclusive por estrangeiros.

    Mas eu acho que fazer o que foi feito, da maneira que foi feito e onde foi feito, foi contraproducente porque a imagem não é de ataque à instituição, é de ataque à religiosidade. Você diz que as pessoas se ofendam, foda-se, problema delas, e tem razão nisso, mas seria mais útil se muitas dessas pessoas pudessem ser aproximadas por causas comuns. Nem oito nem oitenta. As pessoas não pensam em Simone de Beauvoir quando alguém enfia uma santa na vagina durante uma passeata. Entre a Beauvoir e o papa tem muitos modos de pensar que podem ser aproximados ou afastados por atos assim.

    Na minha timeline tem pessoas que se identificam com a causa feminista e ficaram sinceramente ofendidas com o que aconteceu. Vale a pena? Pra mim não vale.

    • Denny Marcel
      julho 29, 2013

      No sábado terminei de ler Apelo à Consciência, de Martin Luther King, e ele trata justamente sobre a melhor maneira de combater os opressores. Ele defende que os oprimidos não repitam a tática e enxerguem nos seus opressores pessoas igualmente fragilizadas. O objetivo deve ser garantir seus direitos, não humilhar aquele que lhes agride. Todos sabemos que, com essa filosofia, MLK conseguiu resultados impressionantes na luta racial americana. Não vejo como quebrar uma santa não tenha como objetivo provocar e humilhar, e de que serve isso?

      • Socorro Nepomuceno
        julho 29, 2013

        Exatamente, não consigo ver de outro modo que não seja a sordidez dessa mente.

      • Gregory
        julho 29, 2013

        Seu bom senso é um ponto de luz em meio a essa escuridão que se diz “iluminada”. Valeu, Denny ;)

      • Diogo
        julho 29, 2013

        Viu soh? Martin Luther King, um cristao, homem, pastor, estadunidense e negro (unico ponto positivo dele na cabeca de algumas pessoas aqui) pode ensinar coisas bem melhores que uma violencia desmedida e irracional de enfiar uma cruz e uma santa no toba! Seria muito bom se os animos de todos no mundo se direcionassem para a Paz e nao lutassemos contra a violencia usando de violencia.

  3. marcelo
    julho 28, 2013

    Sua vaca!!! Quebre na minha frente pra ver se nao te dou um soco no meio da tua cara, sua puta!!!

    • Fábio.
      julho 29, 2013

      Hahaha, olha o machista amedrontado.

    • Thayssa Ribeiro Martins
      julho 29, 2013

      Nada como um bom cristão, que realmente se importa com os valores pregados pela sua religião…

    • Paulo
      julho 29, 2013

      marcelinho vagabundo, quebro é a sua cara e faço tu lamber o chão que ela pisa seu fascista cristão de araque.

      • Socorro Nepomuceno
        julho 29, 2013

        Já que é pra ofender, creio que voce saiba exatamente quem são os vagabundos no contexto. Ninguem tá impedindo alguem de ser: Gay, lésbica ou puta,isso é problema de cada um. O que se pede é que deixem de alopração, se querem ser pessoas normais e ser tratadas como tal, sejam.

    • Den
      julho 29, 2013

      Ahhh, o amor cristão! <3

    • Bruno Galvao.
      julho 29, 2013

      Esse cara só está confirmando o ódio insano da religião.

    • Maíra
      julho 29, 2013

      Pergunto-me: ele é muuuito macho, ou ele é a santa?

  4. Anônimo
    julho 28, 2013

    Acho vcs. muito revoltados contra a igreja, os santos e a religião. Vai ser feliz, procurar coisa melhor para fazer do criticar a religião e os santos. Da mesma maneira que querem ser respeitados, vocês também deveriam ter o mínimo de respeito por quem tem fé.
    Vcs. se acham o máximo, escrevem bonito e tal, mas na minha humilde opinião não são felizes e se acham criticando a igreja e seus santos!

    • Fábio.
      julho 29, 2013

      Gostaria muito que você nos convencesse do contrário escrevendo bonito usando da lógica e da razão. Só a argumentação pode nos fazer mudar de opinião. Se você não se sente capaz, por favor, não comente o que você tão pouco pode compreender.
      Grato.

      • Paulo
        julho 29, 2013

        mandou bem fábio, o anonimo acima pode voltar pra sua igrejinha e rezar pra deus matar todo mundo q quebra santa..kkkk

      • mas queimar um ícone é um argumento lógico onde?

        O texto foi bom, apresentou argumentos, como a opressão da igreja, o machismo embutido (outra forma de opressão), mas, veja, queimar um ícone não é um argumento lógico e dificilmente fará religiosos abandonarem sua fé.

        Países em sua maioria ateus não precisaram de ícones queimados, e sim de boa estrutura educacional. E não foi chegando “olha, igreja é ruim” para crianças. Foi mais na pegada do “por que você acredita? Onde acha que vai levar?”

        Só acho que a pegada é outra

      • Socorro Nepomuceno
        julho 29, 2013

        Que triste voces; tão cheios de arrogancia, arrotando essa cultura que se torna tão inutil em mentes doentias e coraçoes vazios. Lembrem-se que existem pessoas humildes e sem estudo que tem muito mais sabedoria de vida que voces, tão letrados e sem respeito ao proximo. Dó !

  5. Marina Moss
    julho 28, 2013

    André, o ato destes dois manifestantes foi pesado sim. Mas quem somos nós para julgar e condenar a manifestação dos outros? Acredito que essa idéia que você defende tem procedência. Vai afastar muitas pessoas. Incomodar.

    Mas penso que temos de parar de tratar as pessoas como incapazes de lidar com o choque. Do que queremos “protege-las”?

    Tenho pensado que o fato delas terem de lidar com algo grotesco (sim, foi grotesco) pode ser um exercício de reflexão. Obviamente, boa parte não conseguirá assimilar. Certamente, as Vadias perderão este apoio. Embora eu pense que este apoio, independente do ato de ontem, nunca viria. Só ver a forma como a maioria das pessoas se refere ao movimento. A opressão religiosa está impregnada na nossa sociedade. São quase dois mil anos de dominação.

    Até mesmo pessoas que lutam por mudanças e se dizem contra a religião, recuaram. As próprias Vadias. Com o discurso do respeito.

    Sim, no entendimento da nossa sociedade, foi uma grande falta de respeito. Mas com quem? A quem serve o “respeito”? Eu tenho refletido sobre este conceito. Ao mer ver, o discurso do respeito tem mascarado um lado negro da nossa sociedade. Respeito parece bom quando convém.

    Depois de ontem, e lendo comentários de muitas pessoas que considero, e que estão discordando de mim, tenho refletido mesmo sobre isso. Sinceramente, não consigo recuar. Não podemos. Como a própria autora nos lembra: o preço é alto demais. Se dois manifestantes exageraram, não é o caso de renegá-los. Mas do movimento se unir e construir um discurso mais claro, mais explícito, para que a sociedade, a partir deste ato, consiga refletir. Melhor errar junto, que tentar acertar sozinho.

    O que eu tenho pensado disso tudo? Pessoas que não conseguem distinguir uma agressão à instituição religiosa de uma agressão à fé individual, lutam pelo quê? O que elas querem quando saem às ruas?

    Precisamo pensar sobre isso também. Caso contrário, estas pessoas poderão ser o elemento que faltavam para coroar, novamente, a idade média, que ainda sobrevive.

    • André
      julho 29, 2013

      Marina, eu ainda acho que entre a Beauvoir e o papa existem muitas pessoas. Muitas mulheres são católicas e se identificam com o feminismo ao mesmo tempo. Acho que dá pra ser católico e feminista ao mesmo tempo, muita gente acha. Muitas pessoas questionam algumas ações da igreja católica e aceitam a religião.

      Você pode nunca ganhar o apoio de quem já odiava as vadias, mas talvez de alguém que gostasse um pouco… vai saber. Difícil medir.

      Mas faz sentido também não querer recuar totalmente. Fico em dúvida também se qualquer um desses pedidos de desculpas funciona, já aconteceu, já foi feito, e temos que lidar com isso. Acho importante defender o direito das pessoas se expressarem.

      Aliás, é um ótimo exemplo de porque devemos lutar por liberdade de expressão, mesmo quando o discurso é ofensivo a determinado grupo. Se ofender faz parte da vida em uma sociedade livre, e todo mundo tem que se acostumar mais com isso. Inclusive quando ofendem a gente.

  6. Angélica
    julho 28, 2013

    que bom que você existe no mundo. que bom que você existe no meu mundo. (sua infeliz!)

    • wireshoes
      julho 28, 2013

      :P hj somos duas. amanhã seremos milhões. ou três. ou uma. se alguém desertar hahahahahhahahahha (Mary W)

  7. Leo.
    julho 28, 2013

    Ninguém tem o direito de não ser ofendido:
    Bill Pullman:

    E o Stephen Fry: “xIt’s now very common to hear people say, ‘I’m rather offended by that.’ As if that gives them certain rights. It’s actually nothing more… than a whine. ‘I find that offensive.’ It has no meaning; it has no purpose; it has no reason to be respected as a phrase. ‘I am offended by that.’ Well, so fucking what.”

  8. Adriana
    julho 28, 2013

    Olá, gostaria de saber se a autora autoriza republicarmos o texto no site da Revista Fórum, citando e linkando a fonte. Grata. Segue meu email: adrianadelorenzo@gmail.com

  9. Lucila
    julho 28, 2013

    Olá, Estava acompanhado a polêmica da Marcha das Vadias e cheguei até aqui. E para dizer que concordo. Sou católica, e cada vez mais, depois que uma condição de saúde na família me carrega para fé e, bem, não tenho tempo de procurar a menos contraditória e me peguei àquela que conheço desde a infância, mesmo. Mas sou feminista, também. Não dessas que conheci na internet, que querem ver suas escolhas individuais serem aprovadas e não julgadas, embora as entenda. E estas têm de se habituar ao conflito e a reflexão. Não me choquei com a performance. Pode ter sido contravenção? Pode, mas todo ato manifesto corre esse risco. Pode ter sido de mau gosto? Pode, mas gosto é questão subjetiva. Pode ter sido opressor? Não. Não oprimiu a instituição e não oprimiu o fiel. Pode ter chocado alguns, os mais idosos, espero, que nunca viram clips da Madonna, O Exorcista, essas coisas que usaram os símbolos católicos para ganhar dinheiro. Muito, aliás. De todas as minhas faces, a minha religião é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime. E, por isso, é vidraça, está exposta à crítica, tenha esta a forma ética, estética ou política que tiver. Quem dera fosse sempre uma comédia de Monthy Python, uma música do Titãs, um filme de Zeffirelli. Em não sendo, qualquer coisa é melhor que a apatia irrestrita. Que se faça o debate!

    • Renata Lins (@repimlins)
      julho 30, 2013

      Lucila, vim só te agradecer pelo comentário, tão lúcido. E eu, que nem sou católica mas tava cheia de questões por conta de outras gentes, compartilhei o texto e seu comentário. Obrigada mesmo!

    • wireshoes
      julho 30, 2013

      seu comment fez sentido pra todo mundo, principalmente pra mim. obrigada (Mary W)

      • Lucila Brito
        julho 30, 2013

        Fico bem feliz que ajudou, Renata e Mary. Tenho acompanhado a discussão pelo e-mail e visto que a performance gerou muitas questões para as feministas. Natural, só que percebo que o questionamento passa imediatamente ao julgamento. Entendo que a aceitação por parte de religiosos moderados seja um desejo do movimento. Mas não é sublimando sentimentos e opiniões (expressos em performances como essa) que isso irá ser atingindo legitimamente. Há necessidade de confronto, diálogo e, caso os religiosos sejam, de verdade, moderados, serão capazes de entender e tolerar os sentimentos e entendimentos que levaram aquela performance e vice-versa. Se não, a disputa deve continuar. Querer reprimir essas expressões é tentar higienizar uma reivindicação para manipular cristãos para uma causa, como se estes fossem incapazes de tolerar as demandas de grupos diferentes do seu. Isso é propaganda. Se me agradou esteticamente? Não, não sou fã da estética urbana, apocalíptica que é a tônica nas manifestações. Se me agradou política e eticamente? Sempre. Sempre vou ficar satisfeita com a expressão popular, jovem, frente a qualquer demanda. Se foi errada? Inteligente? Eficiente? Não cabe a mim julgar, ao movimento cabe, mas quer saber? Não em público. As novas manifestações falariam por si. A opinião pública, a mídia, serão sempre a opinião pública e a mídia.

  10. Rafael
    julho 29, 2013

    Vocês precisam enfrentar as religiões? Tudo bem. Mas e se as religiões resolverem enfrentar vocês? Vocês vão partir para a guerra ou vão sair correndo e se fazer de vítimas?

    • ludelfuego
      julho 29, 2013

      OI Rafael, bem vindo ao planeta Terra, chegando agora ne fio?

    • Marina
      julho 29, 2013

      As religiões nos oprimem e enfrentam desde sempre, querido.
      Por acaso a gente tá fugindo?

    • Fábio.
      julho 29, 2013

      Rafael, a religião já enfrenta o conhecimento desde sempre. Em 1184 a inquisição cristã censurou e queimou praticamente todos os livros científicos de toda uma era. Deram o nome de Lúcifer (traduzindo: cheio de luz/saber) e Demônio (daemon = inteligência) ao coisa ruim, deixando claro que é errado usar a cabeça. A história está aí para quem quer saber.
      Não tem problema algum em se sentir ofendido desde que não esteja ferindo seus direitos. Quebrar uma santa impede alguém de alguma coisa. Alguém deixou de ver o Papa, de rezar, de conseguir um emprego, de ir pro Céu por causa desse ato?
      Me sinto ofendido constantemente com a Igreja insistindo que eu vou para o inferno e ela não muda, por que você acha que as pessoas devem se preocupar por terem ofendido algumas outras?
      A Igreja já destruiu tanta arte, foram tantas culturas perdidas. Quando os jesuítas chegaram às tribos indígenas a primeira coisa que fizeram foi destruir suas imagens de seus “santos” e colocar a suas.
      Enfim, a intolerância é coisa da Igreja.

      • Alexandre D.
        julho 29, 2013

        Fábio,

        desculpe, mas isso é parte da história. Assim como papas ligados às cidade-estados europeias muitas vezes assumiram seus postos devido a negócios escusos, não é menos verdade que as universidades, a prática da tradução escrita e as bases jurídicas do Estado de Direito, e. g., surgiram ou se potencializaram em decorrência da Igreja Católica.

        Há que se ter cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho.

    • Tiago
      julho 29, 2013

      As religiões já nos enfrentam.

    • Paulo
      julho 29, 2013

      rafinha alienado, é melhor voltar pro seu todynho e assistir o carrosel que ficar comentando os assuntos dos adultos.

  11. claudia
    julho 29, 2013

    Sou Camdomblecista, minha religião eh perseguida, já entraram em terreiros, bateram em médiuns “virados no santo”, destruíram imagens e assentamentos…Pra mim a atitude soou mal, remeti logo à violência contra a minha religião…Para mim estado laico e o estado onde se tem respeito mútuo, onde ateus, candomblecistas, católicos, evangélicos, wiccanos, umbandistas, etc possam conviver em harmonia. O oprimido não pode agir com a violência do opressor. Minha religião também não vê com bons olhos o aborto, mas nem o meu Candomblé, nem as Igrejas Evangélica e Católica, ou qualquer outra religião têm o direito de pressionar o estado para impor seus dogmas…E para ficar claro, eu apoio totalmente a marcha, acho que já conseguiu abrir os olhos de muita gente! :)

    • Coletivo WC
      julho 29, 2013

      é isso, todo mundo tem o direito a ter a sua opinião e a seguir os dogmas da sua religião. o problema é quando tentam impor a própria crença em outros espaços religiosos ou dentro do Estado. pra mim, essa atitude é um protesto contra essa “bibliatização” da constituição.

    • Natália
      julho 29, 2013

      Eu entendo você se sentir ofendida pela quebra das imagens, de fato, ela atinge diretamente os fiéis, pois aparenta ferir sua fé, mas não creio que se deva comparar à violência que sua religião sofre. Se entendermos que foi uma violência, foi a violência do oprimido em resposta ao opressor. =)

  12. Rafael
    julho 29, 2013

    O problema do discurso ideológico é o doublespeaking absolutamente insano, que deixa algumas pessoas alucinadas. Se algum católico tivesse queimando uma bandeira do movimento gay em frente à Marcha das Vadias, garanto que teríamos aqui um post indignadíssimo sobre quão desrespeitoso e opressor é destruir símbolos que representam algum grupo, ainda mais em sua própria manifestação.

    • Coletivo WC
      julho 29, 2013

      não dá pra comparar, rafael. a revolta aqui é justamente contra a opressão da Igreja. vivemos num país extremamente moralista e hipócrita, um prato cheio para os grupos religiosos. que mal teria causado o movimento lgbt ou mesmo o movimento feminista à Igreja? quebrar uma estátua de gesso?

    • Thayssa Ribeiro Martins
      julho 29, 2013

      “Ideias não foram feitas para serem ‘respeitadas’. Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos. Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção.”
      http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ateus_saiam_do_armario_ateismo_e_falsas_simetrias.php

    • Rodrigo
      julho 29, 2013

      Até porque cristãos são minoria no Brasil. Por favor, veja quem é o opressor e quem é o oprimido antes de falar bobagem. LGBTS, mulheres, negros, ateus normalmente não são os opressores e mais raramente ainda incitam violência contra outras minorias. Ao contrário da instituição católica, assim como várias outras.
      Você diz em queimar bandeiras do movimento gay, quantas vezes isso já não foi feito por católicos? Não fisicamente, mas nas suas atitudes diárias, que são “ensinadas” pela igreja?
      O seu discurso é de opressor que nunca teve seu direito reprimido.

      • Natália
        julho 29, 2013

        Pois é, cara, as pessoas querem comparar a “violência” na quebra das imagens com a violência do opressor. Igreja queimar bandeira gay vai no mesmo caminho do orgulho branco e do orgulho hétero. É dizer sou privilegiado e estou passando isso na sua cara. As pessoas se esquecem que temos uma educação pautada na filosofia cristã, ainda que digamos não termos religião.

    • Tchururu
      julho 29, 2013

      Opa, parabéns hein? Volte em 7 dias úteis para recolher seu diploma de proficiência em Fálacia-101…

      Agora que você já aqueceu essa retórica esplendorosa, pode partir para a elaboração de raciocínios mais intrincados como o quão é injusto a camisa “100% negro” ser exemplo de auto-afirmação e a “100% branco” ser atestado de estupidez. Você consegue, vamos lá ;)

      O exemplo que você deu seria desrespeitoso e opressor porque simplesmente reproduziria e endossaria uma agressão que JÁ É perpetrada DIUTURNAMENTE. Sempre foi. E, se nada for feito, sempre será. Pessoas morrem por simplesmente serem gays (só para nos atermos ao exemplo que você deu). São escorraçadas de casa; ouvem desaforos de desconhecidos ou ainda se escondem e levam uma vida dupla, tendo que abdicar de parte do que são para conviver com as pessoas que elas amam e rir das eventuais piadas preconceituosas, assentir às atrocidades ditas etc. E pra quê isso? Para não perder um emprego, o afeto da família, os dentes numa surra de lâmpada fluorescente na rua…

      E tudo isso porque um punhado de seguidores de uma religião então minoritária escreveu um conto que abominava as práticas homoafetivas com o intuito de expandir exponencialmente o seu rebanho de asseclas, já que era mandatório que todos eles “crescessem e se multiplicassem”.

      Daí a repetição da agressão no seu exemplo. A mesma doutrina que condenou à danação um comportamento e, por conseguinte, o grupo que o adota (causando assim incontáveis danos a esse estrato da sociedade) estaria espezinhando NOVAMENTE esse grupo, num evento que deveria ser, em tese, empoderador (como a Marche é para as mulheres, ou as paradas são para os lgbts etc).

      Agora quantos cristãos morrem por ser cristãos? Melhor ainda: já que é pra simetralizar direito, quanto cristãos morrem por ser cristãos nas mãos dos gays? Ou na mão das vadias? Ou na mão de qualquer minoria?

      Entende, enfim, o porquê da manifestação anti-religiosa da Marcha das Vadias ser muito mais um enfrentamento do que uma ofensa? Simplesmente não existe carga histórica que consubstancie aquilo em uma ofensa tangível. Um movimento simbólico de desafio isolado contra possivelmente a instituição mais opressora da história da humanidade não torna essa instituição menos opressora, não reescreve a história nem apaga o quanto de mal foi feito por ela. Qualquer exercício retórico na direção contrária é querer relativizar o não é passível de relativização; é querer remar “a favor” da maré, reforçar algo que por essência nunca precisou de qualquer reforço por ser paradigma normativo da nossa sociedade. Daí que não existe doublespeaking no caso, o que existe é uma USURPAÇÃO, por parte do estrato opressor, DAS PARCAS FERRAMENTAS que foram cunhadas para defender os interesses das minorias:

      – Os lgbts conseguiram isolar o comportamento agressivo contra eles e cristalizou o conceito da homofobia? Opa, pois agora Feliciano, Bolsonaro e afins sofrem “HETEROFOBIA” e se você discorda deles, você que é preconceituoso.

      – As mulheres buscam apoio no feminismo? Opa, olha aí essas “FEMI-NAZI” perigosíssimas querendo destruir os homens e estabelecer o império do velcro.

      – Os negros e demais etnias conseguem políticas afirmativas a favor de sua inclusão no sistema de ensino e no mercado de trabalho? Mas que coisa desnecessária, afinal, “do meu ponto de vista caucasiano”, essas cotas só fazem sugerir que os negros não tem capacidade de conseguir nada em igualdade de condições… Vamos acabar com essas cotas para tratar os negros como “iguais” a nós!

      Sacou a perversidade do discurso?

  13. Coletivo WC
    julho 29, 2013

    Uma pena que mesmo depois desse texto tão elucidativo ainda tenha tanta gente que não consegue compreender o xis da questão. Toda vez que eu me lembro do estatuto do nascituro, a vontade que dá é de jogar todos os santos de gesso do país em cima da bancada evangélica. Só me resta quebrar a imagem. Se eu fui na loja, comprei, levei pra marcha e joguei no chão pra quebrar, não vejo motivo para tanto espanto. Violência é invadir terreiro e destruir todas as imagens de lá. As manifestações radicais dentro de protestos existem para isso, chocar, chamar a atenção para o problema. Mas a maioria só consegue enxergar e se ofender por causa de uma estátua de gesso feita em massa.

  14. João
    julho 29, 2013

    Estão achando que destruir imagens de santos é algo moderno? No passado isso só fortaleceu o cristianismo. Acho esse movimento mal pensado, mal executado e totalmente retrógrado com uma pinta muito superficial de moderninho. Lembrem-se que o discurso cristão é se colocar no lugar do perseguido, de exaltar mártires que foram mortos por quem não aceitava a fé cristã. Dessa forma, acho que esse tipo de gesto só corrobora com o discurso de sempre das igrejas em geral. Não se enganem, elas sabem eficazmente aproveitar-se quando agredidas. A própria cruz é isso. Era originalmente um instrumento de tortura, um símbolo da morte que foi transformado em símbolo de força pelos cristãos.

    O que as igrejas temem mesmo, muitíssimo mais do que o ódio à religião, é a indiferença religiosa. Modestamente, creio que é essa a forma de diminuir a influência da moral religiosa na sociedade. Em muitos países onde as pessoas simplesmente pararam de frequentar a igreja sem, no entanto, as destruírem, a igualdade de gênero se fortaleceu. Até que chegou um ponto em que os edifícios onde funcionavam igrejas ficaram obsoletos, e, em vez de serem demolidas, as igrejas foram se tornando bibliotecas, livrarias, hotéis etc.

    • Joao Barbosa
      julho 30, 2013

      Parabens !!!

  15. Gab
    julho 29, 2013

    Parabéns pelo texto, é mt didático. Sugiro que o envie pro blogueirasfeministas, esta AULA (sim, é uma aula!) precisa ser divulgada para o maior número possível de pessoas para ajudar nossa luta!

  16. Cíntia Costa
    julho 29, 2013

    Oi! Como cristã e feminista, apesar de entender seu ponto de vista, discordo. Não vejo intolerância religiosa como forma de pregar tolerância e liberdade. Sim, a igreja cristã (católica e protestante) são muito opressoras com as mulheres. Querem mandar nos nossos corpos (regulando o que vestimos, dizendo quando podemos ou não dar e pra quem, o que fazer com fetos), querem nos subjugar aos homens (ao pai, ao marido, ao pastor).
    Mas feminismo e cristianismo (como fé, ainda que uma fé rebelde não aceita pela igreja) não são opostos. Eu continuo sendo cristã e, sem abrir mão disso, defendo a legalização do aborto, o fim da misoginia, o fim da homofobia (especialmente dentro das igrejas) e por aí vai.
    Acredito que o feminismo é um movimento inclusivo, que serve para a católica, para a umbandista e para a atéia. E que cada vez que feministas saem por aí excluindo um grupo, ferem essa mensagem e dizem “se você acredita em santos, minha filha, você não tem lugar do nosso lado”. Mais do meu ponto de vista: http://cintiacosta.com/2013/07/28/as-feministas-que-dizem-nao-a-intolerancia-religiosa/
    Beijo!

  17. Daniela
    julho 29, 2013

    Seguindo sua lógica, olha que loucura: já vi texto no facebook de feminista que é do candomblé se indignando com o enfrentamento da igreja católica pela marcha das vadias, porque “daqui a pouco a marcha começa a invadir terreiros”, etc., etc. Vamos destrinchar: a pessoa é do candomblé, religião oprimida pela igreja católica e pelas seitas evangélicas, que constantemente INVADEM seus terreiros para tocar o terror. A pessoa também é feminista, ou seja, vítima constante da invasão da igreja católica em seu útero e no estado para o qual ela paga os seus impostos. Fato: corrijam-me se for o caso, mas nunca soube de invasões de terreiros de candomblé por feministas. Que loucura é essa que leva feministas e seguidores do candomblé a darem chiliques para defender seu opressor? Pandemia de síndrome de Estocolmo, aff.

  18. Congratulations
    julho 29, 2013

    Parabéns! Você está simplesmente defendendo um ato criminoso.

    Art. 208 e Art. 233 do Código Penal.

    Que os criminosos sejam devidamente punidos.

    Que a sua consciência não seja tão vazia quanto a sua tolerância ao próximo.

    • Anônimo
      julho 29, 2013

      BR BR HUEHUEHUE BR BR BR

  19. Rita Alves
    julho 29, 2013

    Que saudade que estava de ler vc, sua infeliz! [2] Eu leio tanta coisa e sempre penso no final, “o que será que a Mary W diria sobre isso?” Vc nunca decepciona. Nunca! Beijos infinitos! :*

  20. Pingback: Meu apoio a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro | Groselha News

  21. caroline
    julho 29, 2013

    o problema não é a falta ou abundância, de religião, de intolerância ou etc… é a falta de respeito. Respeito que falta quando eu tento de convencer que minha religião é a certa, respeito que não se enxerga quando “feministas” em meio a uma multidão (diga-se de passagem muitas crianças) praticam atos obscenos. E obscenos sim, porque é crime. Elas poderiam praticar em qualquer lugar, fosse, na JMJ, fosse em um terreiro de macumba, faltariam com respeito com as pessoas ali presentes, e faltariam com respeito à crença dessas mesmas.. Sou agnóstica, sou feminista, já protestei na minha cidade sobre diversas coisas, mas sei aonde começa e aonde termina meu direito, e começa os dos outros… Seja vc o que for: católico carismático, protestante fervoroso, atéu convicto, viva tratando como gostaria de ser tratado, que o mundo será melhor.

    • Marina Moss
      julho 29, 2013

      Caroline, entendi seu ponto de vista… mas uma coisa, deixada meio de lado nos posts que adotam o discurso do respeito, me chama a atenção:

      E quando falta respeito às mulheres? Onde as pessoas do discurso do respeito estão para clamar pelo respeito às mulheres? Respeito, tem me parecido um conceito bem oportunista nestes dias… é bom quando convém. Infelizmente, qq cristão parece ser mais digno de respeito que uma mulher. Ou que outros religiosos.

      Foi um ato pesado? foi sim. Poderia ter sido melhor, talvez. Não posso julgar a manifestação de outro. Mas em nenhum momento, as pessoas, inclusive ditas feministas, se lembram da falta de respeito milenar contra as mulheres, e outras formas de fé.

      Podemos até defender a fé das pessoas (embore eu pense que há mais desrepeito à fé dos outros por parte dos cristãos, especialmente evangélicos, que tem invadido, quebrado imagens, agredido médiuns espiritas e colocado fogo em terreiros de candomblé e umbanda, e ocas de culto indígena). Segundo a Agência Brasil, os ataques motivados por intolerância religiosa contra estes grupos cresceram 600%, só ano passado. Onde estavam as pessoas que clamam por respeito?

      O discurso do respeito tem mascarado falsos moralismos. Aliás, não acho que o ato tenha sido um ataque a fé das pessoas, mas um ataque á instituição religiosa. As pessoas estão se aproveitando pra distorcer tudo. A linha é tênue e é preciso cuidado. Minha única crítica ao ato, é a divisão que gerou na Marcha. Só.

      Mas se falarmos em respeito, que ele exista para todos e sempre. A revolta feminina não surgiu do nada…

  22. Tuco Dáquer
    julho 29, 2013

    Belo texto. Concordo com tudo, maaaaaaaaas acho que a quebração foi uma postura política equivocada. A igreja católica é um problema no Brasil, mas não é o maior deles – e ainda, católicos costumam ser mais moderados que evangélicos pentecostais, que são exatamente aqueles que sustentam a odiosa bancada evangélica. Destruir santas não vai fazer o papa vir menos ao Brasil nem vai desencorajar católicos a professarem sua fé – mas pode fazer com que católicos moderados passem a odiar minorias.

    E outra: quebrar objetos de culto religioso é crime. Não deveria ser, mas é. Creio que essa atitude, diante da possibilidade de ser tachada de criminosa, tira crédito das minorias no debate político.

    Enfim, não tenho pena dos católicos por ficarem tristes e quero mais é que o papa e a igreja se explodam. Mas que foi uma manobra estúpida, ah, isso foi. Espero estar errado.

  23. Fernando Souza Jr.
    julho 29, 2013

    A direita tem essa mania escrota de se achar moralmente superior. E o que não falta é gente de esquerda para alimentar esse mito. Eu queria fazer minhas as palavras do André, sobretudo quando ele diz textualmente: “Mas eu acho que fazer o que foi feito, da maneira que foi feito e onde foi feito, foi contraproducente porque a imagem não é de ataque à instituição, é de ataque à religiosidade.”
    Por que me parece claro que essa distinção fundamental passou muito longe de quem aprovou o que aconteceu na marcha. Porque a ~instituição ~em si cagou e andou para as santas quebradas. Quem se sentiu ofendido foram as pessoas, atacadas em sua religiosidade. E a bandeira da esquerda não pode ser outra se não a da tolerância e a do respeito pelo indivíduo. A intolerância, a exclusão, o ataque gratuito ao outro, é sempre da direita, e replicar essa prática me parece um erro descomunal. Nesse aspecto, o comentário da Claudia, candomblecista, veio bem a calhar: nenhuma prática religiosa no Brasil é tão atacada e discriminada quanto esta, e é claro que ela se sentiu mal com o acontecido. Fico aqui imaginando um desses evangélicos ensandecidos que quebrando um terreiro e, acusado de intolerância religiosa, usa essa saída pela direita: “foi só uma crítica”. Ou, como se assistiu mês passado na Paulista, fascistas rasgando bandeiras de partidos: foi mesmo só uma crítica? Também acho uma belezinha essa história de “temos que enfrentar” e tal. Temos, claro, mas a estratégia é essa? Usando as mesmas armas dos poderosos, da direita? É isso mesmo, vocês acham que vai ser uma briga igual? Em que realidade essas pessoas vivem? Qual o contato dessa esquerda com o mundo real? O briga é por corações e mentes, não por quem faz a melhor performance. Na publicidade, já diria o outro, a direita joga em casa.

  24. Bartira
    julho 29, 2013

    Mary, que texto! e tbém nunca tinha lido vc contar essa sua experiência de classe, nem sei o que dizer. obrigada por compartilhar.

  25. Paulo Jequitiba
    julho 29, 2013

    CP – Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940

    Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
    Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.
    Parágrafo único – Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.

  26. Joyce
    julho 29, 2013

    Até que enfim um texto lúcido e uma feminista que fez a lição de casa. Estava cansada de tanto mimimi mas até esse pacifista alienado é herança da cultura patriarcal. Parabéns pelo excelente texto.

    • Joyce
      julho 29, 2013

      *pacifismo

  27. Pingback: Não é sobre seu machismo e moralismo cristão que se trata é sobre a luta das vadias contra eles | Maria Frô

  28. Teresa
    julho 29, 2013

    Achei muito divertida a marcha das vadias.Mas a gente sabe que na maioria das vezes,a agressão provoca uma reação.E se todo mundo resolver agredir o que não gosta?!Ja vimos gays serem mortos só por serem gays!Prefiro a coexistência pacifica,com respeito mutuo,todos se divertindo a sua maneira.

  29. Teresa
    julho 29, 2013

    Alias,um detalhe …moleza quebrar santa porque os cristãos não teriam reação.Experimenta quebrar uma moto do Hells Angels…Aí quero ver quem tem peito!Anarquismo funciona assim e e sem chorar.

  30. Caroline
    julho 29, 2013

    Discordo do texto. Muito radical para nossos tempos. Penso que as críticas à Igreja ou qualquer outra instituição religiosa devem tocar na questão da laicidade. Ou seja, manter a religião dentro dos seus limites, reduzindo sua presença no Estado. Criticar a crença com base em erros institucionais não faz sentido. É desrespeitoso sim, porque vivemos em um país onde você é livre para acreditar no que quiser. Esse tipo de comportamento faria sentido no século XVII, na época da contra-reforma. Hoje em dia, não. Além do mais, a autora pensa de forma muito intolerante (sim, Revolução dos Bichos feelings), ou 8 ou 80, ou quebra-se santas ou o mundo dominará as mulheres. Esse deboche e intolerância só vai causar o que é pior para o movimento: fragmentação. Muitas mulheres não vão concordar com essa atitude, porque para elas o mundo não é preto e branco. Vão se afastar do feminismo… É possível conciliar coisas aparentemente inconciliáveis. Como li em um entrevista com o Leonardo Boff, brasileiro é um povo prático: casa na Igreja, aceita a Teoria da Evolução de Darwin, lê sobre espiritismo e não entra em contradição por causa disso. Uma observação: “Ora, nas religiões ocidentais, Deus Pai é um homem, um ancião dotado de um atributo especificamente viril: uma opulenta barba brancal.” – não existe nada na Bíblia que indique isso. Fora que as pesquisas do Freud nesse terreno (tentar mostrar que o Deus judaico era um totem de Moisés) já foram muito criticadas, especialmente, pela ausência de provas arqueológicas/históricas. Eu fico impressionada com esse radicalismo, ontem entrei em uma página ridícula, falando que o feminismo é a pior coisa que aconteceu à mulher, que a mulher dona de casa é muito mais feliz e bla bla bla. Fico impressionada com ambos os lados quando descambam para esse estado de delírio, essa ausência de flexibilidade. Abomino ambas as formas.

    • carol
      agosto 14, 2013

      Concordo com o que escrevestes, acho que o nível ou esclarecimento cai, quando algo cega demais a pessoa, seja fé cega sem razões racionais ou essas ideologias baratas.

      Essas pessoas racionais, ditas evoluídas e modernas mal sabem que o Cristianismo foi a maior proposta que tivemos até hoje filosoficamente de unir a vida celeste e terrena com uma lógica racional, que mesmo após dois mil anos, esses acadêmicos leitores de feministas, comunistas, revolucionários, ateus ”racionais” ou conservadores estúpidos ainda não aprenderam, acho que está faltando lição de casa nas federais ein, vamo estudar galerinha do futuro dona da V-E-R-D-A-D-E!

  31. Pingback: Cristianismo e Secularismo: o que fazer quando o diálogo acaba?

  32. Pingback: Marcha das Vadias do Rio de Janeiro: os santos que nos tem quebrado

  33. Rê_Ayla
    julho 29, 2013

    Eu, pessoalmente, acho perigoso defender o olho por olho, dente por dente. Agressão ser defendida com agressão não significa barbárie? Argumentar que anteriormente foi agredido não significa um desejo ditatorial de gente que imporia seus próprios dogmas, caso tivesse o poder em mãos? Não acho que pagar na mesma moeda, com mensagens de intolerância e desrespeito, ajudem muito. Ao mesmo tempo, não sei o que ajudaria.

    coloquei link para esse seu texto no que escrevi sobre o assunto:
    http://dozeeum.blogspot.com.br/2013/07/entre-cruz-e.html

  34. Tchururu
    julho 29, 2013

    Analfabetismo funcional GRITANDO entre esses comentaristas, fala sério…

    O que eu tô percebendo aqui é uma SUPERPRAGMATIZAÇÃO da questão trazida à baila pelo texto da Mary. Muito se tem falado do quanto negativo / radical / feiobobochatococô foi o ato da dupla de manifestantes na Marcha das Vadias, e de como esse ato ofende intrinsecamente os mesmos interlocutorxs que, por um outro approach, poderiam ser cooptadxs para “a causa”.

    E aí enumeram-se esses apoios perdidos. As mulheres potencialmente feministas & católicas. E uns outros gatos pingados aí*; moderados “capazes de se sensibilizar” com o movimento, mas vêem com maus olhos essas atos de revolta e tomam o todo pela parte, condenando a manifestação inteira.

    Só que o ponto do texto EM MOMENTO NENHUM foi a projeção do ato subversivo perante a comunidade, ou sua capacidade de arrebanhar (ou não) simpatizantes para a Marcha das Vadias (ou para qualquer outro movimento das minorias). Mary não está discutindo técnicas de persuasão popular, queridxs.

    Mary simplesmente discorreu sobre o quanto a simples EXECUÇÃO do ato adquiriu, numa perspectiva histórico-evolutiva da sociedade, um viés amplamente CONDENÁVEL e impregnado de conteúdo INIBITÓRIO. Coisa que ela não percebia com as musicas de outrora (igualmente cáusticas) ou outros exemplos passados de expressões artísticas anti-religiosas e afins.

    Ela está falando da CAROLIZAÇÃO DA SOCIEDADE, do viés pudico adotado inclusive por – pasmem – estratos da sociedade que se BENEFICIAM DAS LUTAS TRAVADAS PELAS VADIAS e que deveriam estar apenas “cagando e andando” para esse tipo de manifestação ISOLADA (porque nem ação coletiva foi), quando, na verdade, estão ouriçadissímas com o incidente, vomitando regra por aí e utilizando da relativização para defender quem sempre as usou como massa de manobra.

    Mary tá falando do dia em que vai ser OFENSIVO ter PENSAMENTOS anti-católicos. E a galera dos comments tá fazendo o quê aqui? Querendo montar uma porra de coalizão maior que a de DILMA ROUSSEFF (tão vendo vocês? na política todo mundo critica né?), pra pôr tudo quando é ser com uma vulva num mesmo balaio, pra todas “lutarem pelos mesmos direitos” sem ter, curiosamente, qualquer direito à problematização interna, ou o direito de rever suas próprias condutas e analisá-las num contexto de movimento coletivo.

    E aí, meus/minhas carxs, eu apresento a vocês a auto-crítica. Porque não é só juntar um bando de bocetas (e simpatizantes) pra lutar por uma pletora de direitos. É também introjetar-se e analisar em até que ponto os posicionamentos individuais não se coadunam com o todo, até para que se articule melhor uma COMPATIBILIZAÇÃO DE INTERESSES… e não armengar um barraco armado onde o único critério comum é não mexer com os melindres de nenhuma das envolvidas, a fim de que esse grupo anômalo e esquizóide passe a funcionar como um todo orgânico.

    Se é esse tipo de “convergência” que o feminismo busca, realmente é caso de ajoelhar e REZAR muito, viu? Muito mesmo…

    * “gato pingado” é força de expressão, antes que venham dizer que eu estou SUBERTIMANDO o imeeenso apoio desperdiçado com essa manifestaçzzzzzzz

    PS: Solidarizo, viu Mary? E como.

    • wireshoes
      julho 29, 2013

      valeu, tchururu. sua reflexao ta melhor q o post <3 (Mary W)

      • LU
        julho 30, 2013

        tô apaixonada por vocês mary e tchururu
        poxa, quero ser amiga de vcs!
        quero tomar drinks com vcs e com pola olixarac
        tá foda, tá rolando o fanatismo irreflexivo tipo adolescente com ídolo adolescente do momento. gênias, bafas!amei o texto analisando o texto da katie roiphe também.

      • wireshoes
        julho 30, 2013

        hey, tomar drinks é comigo mesmo. se achegue ;)

      • LU
        julho 30, 2013

        * onde tá escrito “pola olixarac” leia pola oloixarac

      • Tchururu
        julho 31, 2013

        @ Mary: nunca será melhor, mas a gente faz o que pode <3

        @ Lu: Opa, convite à ebriedade, onde me inscrevo??? =**

        @ mmo: Exaaaato, tá ficando munito isso. Próximo passo desse feminismo de coalizão é ser incorporado pela Liga das Senhoras de Santana. Não sou Regina Duarte mas tenho MEDO.

    • mmo
      julho 30, 2013

      Exatamente. Parece que o feminismo virou um clube anódino em busca de adeptos, dois manifestantes erraram na estratégia de marketing e deverão ser demitidos.

  35. leila jinkings
    julho 29, 2013

    Tenho a impressão de que pelo menos metade das pessoas que comentam aqui nesta postagem não leu o artigo na íntegra. Comentários tolos são chatos, não dá nem pra rir.
    Gostei muito do artigo. Mary, você me representa.
    Aos preguiçosinhos, deixo um trechinho bem bacana, facinho de ler.

    “O que eu vejo é que nenhuma ação anticlerical é possível. Tudo que eu fizer é uma agressão individual. Caso de polícia. Quebrei uma santa. Nossa. Violei a liberdade religiosa e impedi o culto. O que me resta é ver o Papa passar. Minha proposta (sim, eu tenho uma proposta, a loka etc) é que enfrentemos. Vamos voltar a dizer que as religiões cristãs se erguem sobre uma cultura do ódio. Que historicamente eles tem impedido as pessoas de existirem. Impediram negros, índios, mulheres, gays, muçulmanos. Que eles nunca abandonaram a guerra santa. Que ~respeitar~ o discurso deles é legitimar o ódio. Que a Virgem Maria não é uma imagem feminina. É uma das imagens mais machistas já criadas pela cultura humana. Que não existem mulheres na Igreja deles. Elas lavam os pés e puxam o saco de homens. Que Simone de Beauvoir já dissecou A Religiosa (ou A Mística) no segundo volume de O Segundo Sexo. A liberdade mistificada da mulher, promovida pelas religiões, bem como a aniquilação da carne da mulher religiosa. Estranhamente, as feministas que apoiaram os manifestantes também fazem ressalvas individualista. “Eu não faria isso“, “eu respeito quem não respeita mas não faria“. Um espiral de justificativa que para mim é o cerne da questão: ´para combater criacionismo, cartilha bioética papal e que tais PRECISAMOS enfrentar as religiões. Ué. Não teve outro jeito. Até chegarmos nessa sinuca teórica. Se-eu-critico-não-respeito. É uma falsa sinuca. O relativismo é um método de compreensão. Não é a aceitação de todas as práticas e discursos. Podemos sair do armário. Podemos dizer que falta senso crítico àqueles que sacralizam um homem segundos depois da fumaça vaticana. O preço que estamos pagando por não enfrentar é alto demais. Cada vez mais vemos pastores e padres invadindo o Estado. Cada vez mais abaixamos a cabeça e dizemos “ó, mas eles tem o direito de estar“. Como se não soubessemos o que eles fazem quando tem o Estado nas mãos. Ao invés de ficarmos dizendo sem parar que não quebraríamos santa, está na hora de dizer que cagamos e andamos se uma santa foi quebrada”

  36. Ângela F. ou carola de são joão del rey
    julho 29, 2013

    Então, como de hábito, admiro muitíssimo seu texto e testemunho. Mas discordo de muitas coisas. Pode me ~xingar~ de carola, mas discordo. pode? Então, sou contra o papa, igreja, acho q imagem de santo é nada, canto titãs e meu filho vê a vida de brian e rimos juntos. mas qualé da parada? lá? do ato, da cruz no cu. qual é o ponto? é ganhar antipatia ou publicidade? aí foi sussa. dez, nota dez. mas o que mais foi? de verdade? não entendo, a não ser como uma representação de intolerância. ah, as religiões são intolerantes e machistas, mas ÓBVIO, né? não tô nem debatendo isso. Tô debatendo a cruz no cu. magoou quem? os perê? os carola? magoou. e não mudou um milimetro o q eles acham, ou talvez eles tenham ganhado mais antipatia. aaaah, mas quero mesmo que eles tenham antipatia por mim. então tá beleza. pra isso, foi sussa a cruz no cu.

    • wireshoes
      julho 29, 2013

      acordou weberiana, lôra? é assim? racionalidade para a definição das estratégias e balanço das consequências dela? vc tá propondo o que? uma firma? que a marcha das vadias vire um escritório com metas definidas e prêmio no fim do mês? quem sabe um treinamento para os movimentos libertários? custos e benefícios da teoria queer? é essa a proposta? te nomeio gerente da revolução. pega a planilha ali.

  37. Sphinx
    julho 29, 2013

    Acho interessante como um símbolo feito de massa é mais sagrado do que a vida de um ser humano. Sim, porque as milhares de mulheres que já foram violadas ão só em nome de um Deus, vide a história das Cruzadas, guerras e a caça às bruxas, mas também todas as vidas diminuídas, impedidas de se desenvolverem, cerceadas barbaramente, por conceitos e dogmas criados por santos homens com suas nada santas vidas, vivendo em tronos de ouro em instituições falidas que promovem o ódio, a segregação. Vidas que são obrigadas a ter filhos que não querem, a não usar anticoncepcionais, a correr risco de serem contaminadas pelo HIV, a sofrerem abusos de toda espécie, por já viverem há tantos séculos numa situação de opressão e de menosprezo pela sua existência, que simplesmente não há para onde correr. Mas é claro que santas, ídolos frágeis e irracionais são mais importantes que mulheres. Contém ironia. E interessante também são pessoas que de antemão não concordam com a postura de um blog, entrarem aqui apenas pra agredir. Muito cristão. ~coerência~ pra quê, né? Muito bom post, parabéns.

  38. Ângela F. ou a carola de são joão del rey
    julho 29, 2013

    acordei/sou/vou dormir weberiana, me deixa. e não é uma questão de ganhos e perdas -isso é outra escola, nem vem. o meu ponto, é a dúvida mesmo. acho que o ato mais traz antipatia do que qq outra coisa, vá, admita. e sim, há de se pensar no que se quer com os atos, ou não? ai, sou loura, me ajuda (TEM PIADA AQUI, PF, NÂO ME REPRIMAM). Há as feministas católicas, tem aquelas católicas pelo direito de decidir etc. O que elas acharam? sempre que tem fé é não ser feminista? não sei. e cu. cu não é laico, nem fudendo. se fosse laico, n usavam cu como símbolo. ainda mais cruz no cu. na buena. sei que o movimento e os sommelier de movimento – tem q saber que tão lidando com símbolos sim. e que cu e cruz tão aí, tão simbólicos como vestes do papa etc.e tacar cruz no cu. diz aí? o q é? é só provocação? malcriação? melancia no pescoço? proposta? zueira? todos discípulos de Simone? bem, se pintar o cargo, não aceito que sou autoritária demais p isso :-P e no momento sou trabalhadora de uma feminista q ia ficar braba q eu to aqui e n trabalhando pelo futuro da nação

    • wireshoes
      julho 30, 2013

      Bom. Eu gosto, sim, de pensar nas estratégias do movimento e já escrevi vários posts criticando o movimento feminista e considerando ações promovidas equivocadas. Aqui não considero MESMO que é o caso de criticas. Aplica a teoria do Offe de mov social ué. Quem é o movimento ali? Feminista representado pela marcha das vadias. Quais sao os temas ali? Direitos sexuais e violência contra a mulher. Quais os valores? Liberdade e autonomia do corpo. Modo interno de atuar? reuniões horizontais e públicas. Modo externo de atuar? a marcha, que se caracteriza por performances e confecção de cartazes criativos. A grande diferença da marcha com uma passeata comum é a criatidade, o caráter mais ~artístico~, que me parece inspirada na parada gay mas q adquiriu contornos próprios. Ué. Não vejo como a quebra da santa feriu valores ou temas da marcha. SÉRIO MESMO. vi algumas críticas no sentido de que é uma iconoclastia de jardim da infância. aí sim, até discuto. mas o ato em si. SÉRIO. acho q cabe demais numa marcha dessa.

      a pergunta que cabe é outra em relaçao às católicas pelo direito de decidir etc. será que eles estão preparadas pra Marcha das Vadias? será que não seria melhor elas atuarem no feminismo institucionalizado? centros de combate a violencia, de apoio à amamentaçao. E nao digo isso sendo cínica em relaçao a esses centros nem nada MESMO. quem me conhece sabe o quanto admiro esse trabalho. O caso é que existe hoje um movimento de liberaçao dos corpos e das identidades que começa no feminismo. encontra limites. desvia no movimento gay. encontra limites. volta pro feminismo. enfim. nao sei mesmo se é o lugar para ter suas crenças respeitadas. acho q é um lugar de profanação por excelencia etc.

  39. Esther
    julho 30, 2013

    eu acredito que qualquer ser humano tem o direito de acreditar no que quiser, se sujeitar a qualquer coisa, cada um sabe de si, se uns acham que imagem é santo(a), que imagem não é santo(a), que religião é uma bosta, que a Igreja Católica é uma bosta ao quadrado, que ser ateu é um luxo ou lixo, enfim… não importa sabe? O que importa mesmo é a gente respeitar todo mundo, os de santos, os de não santos, os que tem fé, os que não tem fé em nada, eu sou daquelas que dou conta de mim, presto contas a mim e os outros… bem os outros é cada um cuida e sabe de si mesmo, eu não julgo ninguém pq cada um tem as suas razões e seus motivos. Em tempo: não tenho religião,

  40. Mariana
    julho 30, 2013

    A quebra das santas não diminuiu em um milímetro o poder e a influência da igreja católica na sociedade…
    Só serviu para agredir a sensibilidade religiosa de pessoas tão dignas de respeito quanto eu e você…
    E para difundir no imaginário popular que a marcha das vadias não é um movimento de defesa dos direitos humanos das mulheres, mas um movimento de agressão ao direito humano de liberdade religiosa…

  41. Raphael Tsavkko Garcia
    julho 30, 2013

    Se algo me surpreendeu em relação à santa quebrada durante a Marcha das Vadias, sem dúvida foi a repercussão por algo tão estúpido. E digo estúpido em todos os sentidos possíveis: Desde ter chegado a este ponto de repercussão negativa até o ato em si, que foi estúpido e mesmo burro. Mas legítimo.

    Antes de mais nada, é preciso deixar claro: Não é aceitável de forma alguma igualar o oprimido em ato de revolta a seu opressor. E a Igreja Católica é a opressora.

    Da mesma forma, não se iguala ato de opressor contra outro, como se isto deslegitimasse o oprimido de protestar. Falo aqui dos exemplos toscos ou comparações toscas entre o ato de um pastor evangélico (opressor) quebrar uma santa católica em uma guerra entre opressores.

    Tampouco procede a comparação entre a opressão de evangélicos destruírem terreiros (opressor versus oprimido) e o caso em tela, pois ocorreu o INVERSO, ou seja, seria como se, revoltados com a opressão e a devastação de seus terreiros, pais (e mães) de santo fossem até “templos” evangélicos descarregar sua justa raiva contra o opressor.

    http://www.tsavkko.com.br/2013/07/a-santa-quebrada-quando-igualam-o.html

  42. Ubiratan
    julho 30, 2013

    28 “eu’s” no texto. Típicamente feminista!

  43. Alender R. B. Correia
    julho 30, 2013

    Vamos lá…
    Um pequena observação: poucas vezes vi um trecho tão pequeno com tantas remissões ao “cristianismo” de coisas que NÃO tem na Bíblia (que é para ser a base de vida e fé) como no trecho de Beauvoir. No sentido inverso, seria como definir gay como o homem que se veste de mulher e vai se prostituir nas ruas.
    Tá,, falando em catolicismo, até pode ser, mas este, apesar de ser o “grande símbolo” do cristianismo, é apenas mais uma vertente distorcida dele.
    Quanto à liberdade, partindo então para o que Cristo realmente ensinou, sou a favor de qualquer manifestação de crença ou descrença, desde que haja um mínimo de respeito à vivência em sociedade (independente do que se acredite).
    Quer queimar a Bíblia que é a Palavra de DEUS (porque imagem de escultura pra mim também não diz nada)? Vai lá champz! Jesus ensinou a revidar uma bofetada como?
    Mas é preciso ponderar o seguinte: Se não há uma moral objetiva, quem poderá condenar uma assassino, um estuprador, um racista contumaz? Se a sociedade erigiu a lei (e uma moral relativa) quem sou eu para criticar quem vá contra qualquer aspecto dela. Taí um nó que não consigo enxergar desate nas perpectivas ateias.

    • André
      julho 31, 2013

      Afff moral objetiva zzzzzzzzzzzzz

      Moralidade tem que ser discutida e aprimorada, SIM SENHOR. E não tem nada de errado com isso.

      Ninguém é totalmente objetivo na sua moralidade. Não existe, nem se deus quisesse. A própria bíblia muda as regras conforme o tempo vai passando. Não matarás, porém vai lá e acaba com aqueles infiéis. A mulher que se deitar com outro deve ser apedrejada, porém Jesus não fez isso etc, infinitos exemplos.

      Quando falam isso de moral objetiva tenho vontade de bater a cabeça na parede, pq é algo tão besta, mas tão besta, e continuam apregoando como se fosse imbatível.

      • carol
        agosto 14, 2013

        Deus que te ilumine ein…
        Não é Simone Beavoiur muito menos você que vai compreender a Bíblia.

        Uma coisa é a Bíblia que conta a HISTÓRIA do povo HEBREU, antes de conhecer a palavra da fé, encontramos nesta parte da HISTÓRIA muitas coisas diferentes que Cristo prega, justamente por que CRISTO VEM DEPOIS. OUTRA coisa é a Bíblia depois de JESUS, que nao é mais história propriamente dita, mas sim DOUTRINA.

  44. ennart
    julho 31, 2013

    Penso que religiosidade ajuda as pessoas viverem melhor! Afasta as drogas, o álcool, aos crimes enfim coisa que atrapalham o homem que quer viver com dignidade, ruim com ela pior sem ela, acreditemos num Deus maior!
    Isto as religiões de uma maneira geral pregam.

  45. karla pereira
    agosto 1, 2013

    Achei lúcido o seu comentário sou ativista da diversidade sexual e também tenho minha crença em um mundo invisível que ao meu ver se alimenta de minha cultura.Não podemos passar o rôdo nas emoções que muitas vezes nos ajudam a viver. O Cristo é muito diferente do Cristianismo!

  46. Anônimo
    agosto 1, 2013

    Baaaaaaaaaaaaando de Babacas Ipocritaaaaaaas !!!

  47. Pingback: De todas as minhas faces, a minha religião é a única que não me deixa como minoria, por ser ela quem oprime | Groselha News

  48. Cristiano Requião
    agosto 2, 2013

    O que aparentemente ninguém aqui em cima se deu conta é de que o ato contra as imagens não tem nada a ver com a marcha das vadias… Eles fizeram a performance antes da caminhada e de forma isolada, apenas na área onde a marcha estava sendo organizada. Ninguém conhecia o desfecho, portanto, não se tocaram em mandar parar ou se afastar…

    Quando lidamos com opinião pública é complicado. Se desejamos atraí-la positivamente é preciso respeitar certos limites… é o que a marcha fez, não o casal…

  49. Pingback: Cristianismo e Secularismo: o que fazer quando o diálogo “acaba”? | Rennovario

  50. carol
    agosto 14, 2013

    Sou católica e eu lendo esta matéria e os comentários, que trazem muito conteúdo e argumento de fato, embora pouco esclarecimento a totalidade, o que claro, é abrangente mas poderia ser expressa aqui, se a ideologia não entortasse.

    Bem, o que quero dizer é que acho bem ignorante e contraditório vocês levantarem a bandeira de poder ter o direito de avacalhar com os símbolos religiosos, isso leva ao que? parece um bando de adolescente revoltadinho.
    Aí em outra matéria vocês vem levantar a bandeira PACIFICADORA como os bonzinhos da história (bonzinhos somente por que nunca fizeram história) e dizer que é crime a violência contra gays, trotes machistas, bullying…

    isso tudo nao pode, tem que respeitar, mas a religião tem que destruir? vocês precisam refletir de forma mais consciência sobre as opiniões diversas, o mundo moderno, nosso futuro, sem deixar de lado suas convicções que eu nao concordo, porém, sem se cegarem e caírem em cliches, revoltinhas banais e incoerentes.

    Ou seja, pegando matérias de blogs, onde encontramos a opiniao as pessoas comuns, que defendem isso… encontramos incoerencias causadas pelo ódio, revolta… raivazinha por que foi obrigado a faze a catequese..
    Faz favor ein!

  51. Pingback: Um dia eu penso num nome pra isso aqui

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Publicado às julho 28, 2013 por em Uncategorized e marcado .

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