Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

O ar está empesteado de toda essa babaquice humana

Um filme sobre o amor. Mais precisamente sobre o primeiro amor e todas as descobertas e emoções que isso envolve. Mas quando se trata de uma relação gay tudo é bem maior. Daí eu percebo que as pessoas, acredito que com boas intenções, tendem a usar o clichê de começar falando que não é um romance lésbico, mas sim uma história de amor que podia acontecer entre qualquer casal*. E bem, é mesmo uma linda história de amor com todas as nuances que um primeiro amor tem, mas com todos os adendos que somente gays sabem como é na hora do “vamo ver” com a família, com os amigos, consigo e etc.

Image Azul é a cor mais quente é extremamente lésbico. Diferente da história original contada por Julie Maroh na graphic novell de mesmo nome, o filme não é militante e foca de forma sensível e cuidadosa no crescimento com relação ao amor e a vida da personagem Adèle, que é acompanhada o tempo todo por nós através da câmera quase subjetiva do diretor Abdellatif Kechiche (o mesmo de Segredo do Grão, só soube disso depois). Eu gostei demais da escolha de Kechiche em não focar na militância, mas na descoberta do amor, o que não exclui e nem diminui o romance lésbico apresentado.

Tudo está ali. A descoberta do corpo e do sexo, a dificuldade em se identificar dentro dos códigos que o mundo oferece, a obrigação de se identificar dentro dos códigos que o mundo oferece, a primeira boate gay (não é qualquer boate), o medo do que a família e os amigos vão pensar, a cobrança da saída do armário pelo melhor amigo, o dilema em sair do armário, o olhar de acusação dos que não sabiam como se ela fosse mentirosa ao não dizer imediatamente (mas se nem ela sabia ainda!), a primeira menina, o primeiro sexo com menina. E, claro, o primeiro amor. Todo um processo maior e desgastante pra se chegar em algo que heterossexuais vivem com naturalidade. Porque o mundo e seus códigos pré-estabelecidos não são capazes de explicar Adèle e na incapacidade de explicar algo desnaturaliza os sentimentos mais sinceros. Porque o mundo ainda é babaca demais.

Para quem quiser saber mais sobre os dilemas e sofrimentos de Adèle, recomendo a graphic novell que aborda outros aspectos de se descobrir lésbica, especialmente o dilema de Adèle com ela mesma e com a sua família. E os desenhos são incríveis também :-)

*Lembro que isso aconteceu com Brokeback Mountain também e, nossa, que história mais gay gente. Não é não um romance qualquer.

Haline Santiago

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Publicado às fevereiro 18, 2014 por em Cinema e marcado .

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