Revista Wireshoes

Reflexões Queer sobre o cotidiano

~Sopa de Letrinhas~

In an absolut world there are no labels

A “sopa de letrinhas” da sigla LGBTT* se deve principalmente ao surgimento de novas performances de gênero. Algumas não tão novas, mas que só tiveram visibilidade recentemente e o movimento gay abrigou na sua bandeira. Há sim uma identidade entre esses tipos, porém é comum confundir os termos já que fazem parte de noções diferentes: sexualidade e gênero. Explico: gay, hetero ou bissexual são formas de se relacionar sexualmente, são possibilidades sexuais presentes em todos e que ora tendem pra um lado, ora pra outro ou ainda pra ambos. A identificação de gênero independe das experiências sexuais, é como alguém quer ser visto no mundo, como constrói sua identidade.

O desafio Queer é sempre deixar aberto o “guarda-chuva” transgênero para o que quer que apareça e tratar a sexualidade como experiências possíveis (nada é fixo e imutável), mas também não esquecer as especificidades que diferenciam essas possibilidades e servem de base para reivindicações. É importante ressaltar que a Teoria Queer faz contraponto à política identitária criada pelos movimentos gay e feminista,  no sentido de não limitar as possibilidades. Mas você sabe o que quer dizer cada letrinha?

As possibilidades sexuais

Gays e Lésbicas (ou somente gays): São aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo gênero. O termo “gay” define ainda um estilo de vida, uma forma de ser que até mesmo heterossexuais (que se relacionam com o gênero oposto prioritariamente) acabam se identificando, geralmente para pontuar uma certa liberdade sexual. Isso se deve ao fato da sexualidade não ser determinada biologicamente, mas sim um conjunto de experiências sexuais possíveis.

Bissexuais: São aqueles que sentem atração por ambos os gêneros.

Pansexuais: São aqueles que sentem atração por qualquer gênero (homens, mulheres e transgêneros). O termo abriga ainda experiências sexuais não previstas.

As performances de gênero

A definição do “sexo” do bebê no nascimento é uma convenção baseada nos órgãos genitais e reprodutivos, quando alguém é definido como “mulher” ou “homem”. Essa convenção pressupõe performances de gênero de acordo com o “sexo” biológico, ou seja, o conjunto de características e atitudes estabelecidas como femininas ou masculinas. O padrão é quando alguém se identifica com o sexo biológico (cisgender), ou seja, sua performance de gênero é de acordo com esse dado. Ver mais aqui.

Para os Intersex essa definição não pode ser dada no nascimento devido à impossibilidade de caracterização da genitália dentro do sistema binário. Sua performance de gênero acaba sendo escolhida pelos pais, podendo ser mudada posteriormente de acordo com a sua identificação de gênero. Ver mais aqui.

Transgênero é um termo guarda-chuva para as performances consideradas fora do padrão (inclui os intersex).

Travestis: São aquelas que se identificam como um terceiro gênero, nem homem e nem mulher. São performances femininas muito estigmatizadas pela sociedade que associa à marginalidade.

Transexuais: São aqueles que se identificam com o gênero oposto, realizando procedimentos cirúrgicos ou não (troca de sexo e outras  cirurgias auxiliares). São eles: FTM (female to male), também chamados de Homem Transexual ou Transhomem e MTF (male to female), também chamadas de Mulher Transexual ou Transmulher.

Genderless: São aqueles que não se identificam com nenhum gênero, constituindo uma identidade indefinida ou pós-gênero. Ver mais aqui.

Há performances de gênero não contempladas pela bandeira do movimento gay, talvez por não demandar reivindicações específicas e não constituírem exatamente uma identidade. São elas:

Crossdressers: São aqueles que vivenciam a experiência contínua ou esporádica da performance do gênero oposto, podem ser homens ou mulheres.

Drag Queens/Kings: São artistas que criam performances do gênero oposto em suas apresentações, geralmente usando recursos exagerados para ressaltar as características femininas (queens) ou masculinas (kings). Antes eram chamados de transformistas e ainda não havia a presença das kings.

Universo Queer é a matriz de possibilidades que existe quando se cruzam as informações sexuais e de gênero fora do padrão (cisgender/heterossexual). Nenhum rótulo dá conta dessas possibilidades, simplesmente porque não são possíveis de catalogar. Não fazem parte de um sistema binário.

*A sigla e expressão “GLS” (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) foi trazida por André Fischer para o Brasil. Com o tempo foram incluídos transgêneros e travestis e retirados os simpatizantes. A letra L foi colocada na frente por causa de uma reivindicação feminista. No entanto, todos conhecem o movimento e comunidade gay como GLS.

Um comentário em “~Sopa de Letrinhas~

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